Américas*Américas*Américas*Américas*Américas*Américas*Américas*Américas*

O projeto “Américas” é uma tentativa de (re)organizar percursos através da sua representação num espaço que foi tão percorrido quanto percorreu. Em viagens realizadas pelas Américas entre o final de 2009 e o inicio de 2011, em busca de novas derivas, nasce um real imaginário, lugar marcado pela visceralidade do espaço vivido e pelos registros feitos ao longo do caminho, onde o  corpo aparece como lugar praticado, representante do movimento temporal no espaço, tanto quanto registro deste. O trabalho é apresentado em seis gravuras digitais, e nos vídeos “Caminho” e “Progresso”.

Gravuras // Representação de um real imaginário, o conjunto de gravuras – colagens digitais impressas em canvas – América pop, América vendida, América informada, América insurgente, América explorada e América controlada – simbolizam aspectos marcantes das américas percebidos e capturados durante os percursos da artista. Produzindo um diálogo entre natureza e produção humana, onde o corpo aparece como lugar praticado, espaço que pode narrar e ser narrado, trabalhando com realidades imaginadas, reconstruídas a partir de fragmentos do real vivido, a artista brinca com conceitos que podem ser apropriados e interpretados de maneiras diferentes, enquanto apresenta o contraste entre imagens que remetem a natureza (que inclui o corpo) e imagens produzidas pelo homem (ora anúncios publicitarios, ora jornais, ora stencils capturados em muros, entre outras coisas).

América vendida

América vendida, 2011. Colagem digital em canvas 31x41cm.

América informada

América informada, 2011. Colagem digital em canvas 43x56cm

América controlada

América controlada, 2011. Colagem digital em canvas 35x43cm.

América pop

América pop, 2011. Colagem digital em canvas 33x43cm

América explorada

América explorada, 2011. Colagem digital em canvas 46x34cm

              

América insurgente

América insurgente, 2011. Colagem digital em canvas 53x43cm

Vídeo 1 // Criado a partir de registros de percursos feitos em viagens pelas Américas entre 2009 e 2011, o filme “Caminho” é parte do trabalho Américas, apresentado em 2011 na exposição coletiva do grupo Cotidiano & Mobilidade, na Escola de artes Visuais do Parque Lage (RJ). Projetado no chão, o filme faz uma representação de um corpo que ao mesmo tempo que percorre um espaço é afetado (pisado) pelo caminho que percorre. Ao projetá-lo no chão, sem isolamentos físicos, espera-se que o corpo – que no video é pisado pelos percursos da artista – seja ali pisado também, de maneira consciente ou não, provocando uma interação física entre obra-artista e espectador.

Vídeo 2 // Progresso, apresentado como parte de um vídeo coletivo preparado pelo grupo Cotidiano e Mobilidade, faz uma provocação a partir de imagens feitas no Complexo do Alemão logo após a invasão policial de dezembro de 2010, que deixou dezenas de mortos e a dúvida sobre o que realmente entendemos como progresso.

 
 
 
Marianna Olinger * Aluna da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2009 * Doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR/UFRJ, pesquisa intervenções públicas e política em favelas * No Rio de Janeiro desde 2004, trabalhando com política e direitos humanos sofre de uma profunda inquietação ética e existencial, que a levou ao encontro com/entrega à arte * A pesquisa acadêmica e experiência vivida a tornaram crítica do funcionalismo abstrato e práticas organizadoras do espaço e da vida social, hegemônicas no planejamento urbano e social contemporâneo.
 
 
 
 
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